Sobretudo, trigo

Calado

Atravesso e descubro corpos.

Sobre mim,

Atiro-me.

O eixo percorre-me

(Há a avenida)

Hipnótico.

1. As ruas estreitas

Mais duas pizzas, por favor, sobre copos de vidro antigos e balcões metálicos um pano estranho e de onde vem este ketchup?, toda esta pressa e o orégano o garfo caiu e onde está você se os olhos caídos no rodo? Por que não me vem agora? Eu corro e ele já mais uma vez vai e se desfaz nos pães de ontem porque preciso para agora de tudo isto de mais três Carltons, como?, jogados sobre laranjas verdes os pés amassam-se, mas onde, onde, onde, a qualquer hora despeço-me e ele assina o requerimento, cruzam caminhos sobre a hipnose obscura da Anhangüera e os eixos frigoríficos se são 40 º e porra! os copos, o calor se desfaz em toxinas úmidas, são 5 e 45 senhor, Senhor?, meu Deus, peco ou peço pelo pão assado e assaltado no 45 º andar no dia mais quente sobre mim porque não me permitem a faixa, destituem-me os pés processos, as mãos longas, meus calos profissionais se ossos ociosos e proeminentes saltam-me dos olhos nas esquinas com dois mil carros e onde estão os pães?, o troco?, as tortas estragadas dos aniversários esquecidos, sim, são 7 anos não comemorados, dos namorados e agora, pois não, em que posso? O ônibus! Agora! E minha bolsa tirada do útero? E meu câncer, na sacola do Tatico? Só mais uma vez, ah!, a última.

2. Ou o caminho

Ainda desfeito em mim teu corpo que em pedaços inundaram meus restos sobre todos os copos e esboços e olhares teus e meus sobre o que foi de ti a ainda refaço-me, ah, sim, ainda, desconstruiu-se de mim, já jogado sobre o aço de ti, não escapo e ainda descalço de teu semblante e cansado de não mais te olhar, sobre janelas que se despem, sobre luzes que flutuam e não voltam mais, sobre 201s que se explodem sobre tuas mãos que partem todos os dias e não podes ouvir o grito em ti porque te ouço sem que fales e te busco sem que me clames e te morro sem me viveres e te acabo, nu escuro, em mim, te mimetizo em mim, o que me resta se meus pés escrevem por ti e os teus tocam por mim no que se funde e afunda, do que nos é, tudo se dilui e assim afogo-te para que vivas ao quase limite do nunca fomos, nunca estivemos, nunca pudemos, a distância encerra o encontro nas tardes quentes de 24 de setembro, porque são muitas, errr, lack of something, errr.

3. O segundo movimento do xadrez

Ainda descoberto recubro as cinzas do olhar e cubro, ainda, os olhos e as roupas, que voam, e as palavras, que rasgam, as vias que cruzam e as cruzes que sangram, e o vômito que me lava, leva as sobras , carrega-me, sedimenta-me, desfaz-me, obriga-me, a vida, à vida, ávida, a discórdia entre as vias e os trilhos abertos com pus convergem e anunciam-se a mim como se me fossem e entrego as mãos e desfaço as malas e apago as chamas e acabo-me pela sétima vez. É esta a vez. A vez. E meus cacos dispersos convergem-se sobre meus pés, a voz afogada goteja meus passos, persegue quem sou, no meu último corredor, eu (não não não não não não não não não não não não não não não não), na última vida que me resta.

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~ by nossosombros on April 2, 2009.

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